A tradição ainda é o que era. Portugal tem uma longa e recheada história de queijos que fazem crescer água na boca aos apreciadores. Siga a viagem proposta pelo All About Portugal e delicie-se ao provar os melhores queijos do país. Todos eles ostentam o selo de Denominação de Origem Protegida (DOP), garantia de qualidade e de que os queijos são produzidos sob rigorosas condições humanas e naturais numa determinada zona geográfica.

Queijo de Cabra Transmontano

Em Trás-os-Montes produz-se um queijo de reconhecida qualidade, a partir de leite de cabra da raça serrana. De cor branca e pasta extra-dura, apresenta um sabor levemente picante e um aroma intenso e agradável. As suas características específicas resultam da produção artesanal e pouco alterada ao longo dos anos. É produzido em 10 concelhos dos distritos de Bragança e Vila Real. Teve um peso considerável na economia e alimentação, em particular da população mais desfavorecida.

Queijo Terrincho

O leite das ovelhas Terrincho, cujo nome técnico é raça Churra da Terra Quente, é o fator diferenciador deste queijo produzido também no Interior Norte, pois os animais são criados em condições naturais em regime extensivo, o que se repercute no sabor. Dependendo dos seus gostos, pode optar pelo Terrincho normal, que tem uma pasta semi-dura e um sabor suave, ou pelo Terrincho Velho, cujo sabor é forte e característico. A pasta é dura.

Queijo Serra da Estrela

É, para muitos, o “ex libris” dos queijos portugueses e “obrigatório” provar. Reza a lenda que começou a ser produzido pelos romanos e que a primeira queijaria foi criada em 1287, em Celorico da Beira. O seu sabor e odor não deixam ninguém indiferente, sendo feito com leite de ovelhas criadas na Serra mais alta de Portugal continental. Consoante o tempo de maturação, pode ser amanteigado, ótimo para comer à colher, ou ter uma pasta semi-dura, mais indicada para degustar à fatia.

Requeijão Português

O seu aspeto é bem diferente da imagem que normalmente se associa aos queijos. É um produto fresco, branco, com uma textura macia, cremosa e granulosa. Obtém-se a partir das proteínas do soro da laboração do queijo e tem a particularidade de ser um produto com muitas proteínas e um reduzido nível de gordura. Há dois requeijões portugueses que figuram na lista de produtos DOP, o da Serra da Estrela e o da Beira Baixa. Pode ser uma ótima sobremesa, quando acompanhado de doce de abóbora.

Queijo do Rabaçal

É oriundo de uma freguesia do concelho de Penela, no distrito de Coimbra, e resulta de uma mistura de leites de cabra e ovelha. O sabor característico deste queijo ancestral fica a dever-se a uma planta popularmente conhecida por “Santa Maria”, um tomilho espontâneo, que se encontra em abundância na zona. É, ainda, produzido nos concelhos de Ansião, Alvaiázere, Condeixa a Nova, Pombal e Soure. Já surge mencionado em documentos do ano 1139.

Queijo de Azeitão

Foi criado durante o século XIX com leite de ovelhas provenientes da zona da Serra da Estrela. Apresenta uma pasta semi-mole e amanteigada, com cor branca a amarelada, conjugando na perfeição um sabor picante, ácido e salgado. As suas características diferenciadoras devem-se ao uso de uma variedade de flor de cardo espontânea como coagulante, bem como às condições naturais e meteorológicas da zona de Setúbal, a sul de Lisboa, que influenciam positivamente a qualidade dos pastos.

Queijo de Nisa

O Alentejo é outra zona com uma larga tradição queijeira. Nisa orgulha-se de produzir um queijo de ovelha reconhecido em todo o país. Distingue-se por ter um sabor levemente ácido e um aroma forte com uma pasta semi-dura e cor branca a amarelada. A sua área de produção compreende mais sete concelhos do distrito de Portalegre. Reza a história que este queijo assumiu uma grande importância no regime alimentar da população mais pobre.

Queijo de Évora

Mais a sul, o Alentejo profundo dá-lhe motivos para continuar a percorrer este apetecível roteiro. O queijo mais pequeno e leve da lista será o de Évora, que pode ter vários formatos, mas nunca excedendo as 300 gramas. Tem a particularidade de o leite de ovelha utilizado na sua produção ser aquecido a lume de lenha e apresenta um sabor levemente picante e ácido. Este queijo de pasta dura ou semi-dura e cor amarelada é produzido em 16 concelhos dos distritos de Évora e Portalegre.

Queijo de Serpa

Também se baseia na receita do queijo Serra da Estrela, enriquecida com especificidades e características próprias da região em que é produzido. De pasta semi-mole e consistência amanteigada tem dois pontos peculiares no seu processo de produção: o pano usado na filtração do leite é dobrado precisamente 40 vezes e o corte é feito, unicamente, com quatro movimentos, baseados em crenças religiosas. A sua área de produção engloba mais 15 concelhos dos distritos de Beja e Setúbal.

Queijo de São Jorge

É um dos produtos mais conhecidos do arquipélago dos Açores. Ao contrário dos restantes destaques deste roteiro, o queijo da ilha de São Jorge é feito com leite de vaca. Distingue-se pelas condições naturais dos pastos de diversas culturas que contribuem para a qualidade do leite utilizado na sua produção. O método de produção deste queijo, cujos aromas e sabores são ligeiramente fortes e picantes, tem-se mantido praticamente inalterado ao longo dos últimos cinco séculos.